Revista
Projeto 1982 Pag. 20 Editorial
A produção
arquitetônica atual, o Parque dos Poderes, de longe a maior obra de
arquitetura em execução no Mato Grosso do Sul, representa apenas parte da
produção arquitetônica em curso no estado.
Os
projetos do centro administrativo vieram beneficiar poucos escritórios, todos
de porte modesto, apesar do volume de obras públicas que alguns contrataram. O
IAB/MS conta agora com cerca de 80 associados, estimando-se em 100 o total de
profissionais atuantes, entre autônomos, assalariados e funcionários públicos.
Esta produção valeria a pena averiguar, embora deva predominar projetos de
habitação unifamiliar de média/ alta renda. O que é mais caracterizador neste
novo contingente de profissionais chegados com o novo estado? É possível
estabelecer-se um perfil preliminar: vieram atraídos pelas perspectivas novas;
são jovens, em sua maioria formados entre 1975 e 80, nas mais diversas escolas:
Gama Filho, Santa Ursula, UFRJ do Rio de Janeiro Bras Cubas/Mogi das Cruzes,
São José dos Campos, PUC-Campinas (todas de São Paulo), UFPR, UFMG, UFRGS,
UFPE, UnB, entre alguma arroladas em conversas: alguns mato-grossenses;
recém-formados já se estabeleceram como autônomos na cidade.
Este
caleidoscópio sugere que, dentro de pouco tempo, poderemos observar como
arquitetos com poucos anos de vida profissional vão se conduzindo, averiguar o
desenvolvimento da produção arquitetônica de jovens com aprendizados distintos
nas condições peculiares do Mato Grosso do Sul, e se isto conduzirá a uma
linguagem própria como arquitetura regional.
O que
parece estar acontecendo é a transposição de padrões arquitetônicos, porque a
consciência de algum regionalismo ainda não está madura, embora presente.
O que
pode informar este regionalismo? O Planejamento Urbano? (O plano de
desenvolvimento de Campo Grande foi desenvolvido por Jaime Lerner e concluído
em 1978, estando parcialmente implantado). As técnicas construtivas? (Todo
material convencional de construção é importado de outros estados, menos os
brutos: cimento, areia etc.
A
madeira, material nativo, escasseia e é até importada do Paraguai.) O clima? (Parece
ser um denominador comum para destacar hábitos distintos em qualquer parte do
Brasil.) Paisagem? (A mata do cerrado realmente é uma belíssima perspectiva.)
Arquitetura pantaneira? Habitação popular? Técnicas alternativas? Programas arquitetônicos
distintos? Tudo isto é mera especulação. Dúvida que poderia ser enfrentada
conjuntamente com uma escola de arquitetura.
O caso
do curso de Campo Grande gerou polêmicas: o CESUP (instituição particular)
abriu em 1981 um curso de 60 vagas para arquitetura, sob forte oposição do lAB
local, que lutava pela implantação do curso na Universidade Federal. Batalha
perdida (e de maneira definitiva, já que o Conselho Federal de Educação não
mais autorizará o mesmo curso na cidade), resta ao IAB iniciar uma forma de
convivência com a Escola, ou, ao menos, com os alunos. Seria uma oportunidade
de desenvolver trabalhos significativos para a comunidade local, voltados para
as necessidades regionais.
Um
estado novo significa, em princípio, uma identidade nova. Caso contrário, não
se justifica uma divisão a custos tão altos. E identidade nova não significa,
obviamente, inventar uma, mas saber caracterizar o que lhe e próprio, saber do
seu patrimônio cultural, reconhecer e valorizar a criação vernacular enquanto
resposta do meio e alternativa contra a massificação cultural. A arquitetura
também está engajada neste processo. Haverá realmente um denominador regional?
Será tão claro e preciso a ponto de ser reconhecível e diferenciador?
O
regionalismo é possível? São perguntas que somente os arquitetos sul-mato-grossenses
poderão responder.
Arquitetura
regional? Estabelecer parâmetros para caracterizar uma produção regional do Oeste,
é tarefa impossível, por enquanto. Não existe ainda tal tipo de arquitetura,
feita por arquitetos. Até a conceituação desse regionalismo é trabalho a ser
realizado, se pertinente.











































