domingo, 20 de setembro de 2026

Revista PROJETO 1982 Sobre o Parque dos Poderes


 

Revista Projeto 1982 Pag. 20 Editorial

A produção arquitetônica atual, o Parque dos Poderes, de longe a maior obra de arquitetura em execução no Mato Grosso do Sul, representa apenas parte da produção arquitetônica em curso no estado.

Os projetos do centro administrativo vieram beneficiar poucos escritórios, todos de porte modesto, apesar do volume de obras públicas que alguns contrataram. O IAB/MS conta agora com cerca de 80 associados, estimando-se em 100 o total de profissionais atuantes, entre autônomos, assalariados e funcionários públicos. Esta produção valeria a pena averiguar, embora deva predominar projetos de habitação unifamiliar de média/ alta renda. O que é mais caracterizador neste novo contingente de profissionais chegados com o novo estado? É possível estabelecer-se um perfil preliminar: vieram atraídos pelas perspectivas novas; são jovens, em sua maioria formados entre 1975 e 80, nas mais diversas escolas: Gama Filho, Santa Ursula, UFRJ do Rio de Janeiro Bras Cubas/Mogi das Cruzes, São José dos Campos, PUC-Campinas (todas de São Paulo), UFPR, UFMG, UFRGS, UFPE, UnB, entre alguma arroladas em conversas: alguns mato-grossenses; recém-formados já se estabeleceram como autônomos na cidade.

Este caleidoscópio sugere que, dentro de pouco tempo, poderemos observar como arquitetos com poucos anos de vida profissional vão se conduzindo, averiguar o desenvolvimento da produção arquitetônica de jovens com aprendizados distintos nas condições peculiares do Mato Grosso do Sul, e se isto conduzirá a uma linguagem própria como arquitetura regional.

O que parece estar acontecendo é a transposição de padrões arquitetônicos, porque a consciência de algum regionalismo ainda não está madura, embora presente.

O que pode informar este regionalismo? O Planejamento Urbano? (O plano de desenvolvimento de Campo Grande foi desenvolvido por Jaime Lerner e concluído em 1978, estando parcialmente implantado). As técnicas construtivas? (Todo material convencional de construção é importado de outros estados, menos os brutos: cimento, areia etc.

A madeira, material nativo, escasseia e é até importada do Paraguai.) O clima? (Parece ser um denominador comum para destacar hábitos distintos em qualquer parte do Brasil.) Paisagem? (A mata do cerrado realmente é uma belíssima perspectiva.) Arquitetura pantaneira? Habitação popular? Técnicas alternativas? Programas arquitetônicos distintos? Tudo isto é mera especulação. Dúvida que poderia ser enfrentada conjuntamente com uma escola de arquitetura.

O caso do curso de Campo Grande gerou polêmicas: o CESUP (instituição particular) abriu em 1981 um curso de 60 vagas para arquitetura, sob forte oposição do lAB local, que lutava pela implantação do curso na Universidade Federal. Batalha perdida (e de maneira definitiva, já que o Conselho Federal de Educação não mais autorizará o mesmo curso na cidade), resta ao IAB iniciar uma forma de convivência com a Escola, ou, ao menos, com os alunos. Seria uma oportunidade de desenvolver trabalhos significativos para a comunidade local, voltados para as necessidades regionais.

Um estado novo significa, em princípio, uma identidade nova. Caso contrário, não se justifica uma divisão a custos tão altos. E identidade nova não significa, obviamente, inventar uma, mas saber caracterizar o que lhe e próprio, saber do seu patrimônio cultural, reconhecer e valorizar a criação vernacular enquanto resposta do meio e alternativa contra a massificação cultural. A arquitetura também está engajada neste processo. Haverá realmente um denominador regional? Será tão claro e preciso a ponto de ser reconhecível e diferenciador?

O regionalismo é possível? São perguntas que somente os arquitetos sul-mato-grossenses poderão responder.

Arquitetura regional? Estabelecer parâmetros para caracterizar uma produção regional do Oeste, é tarefa impossível, por enquanto. Não existe ainda tal tipo de arquitetura, feita por arquitetos. Até a conceituação desse regionalismo é trabalho a ser realizado, se pertinente.

 

 


sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Lançamento do livro LADEIRA DO PORTO A CIMA em Corumbá


 CONVITE – LANÇAMENTO DE LIVRO!

📚 LADEIRA DO PORTO ACIMA... Arquitetura moderna e memória de Corumbá 📚
🔹 BOSCO DELVIZIO apresenta um olhar nativo e didático sobre a arquitetura moderna de Corumbá, pouco conhecida e estudada em MS. Seu novo livro narra tanto o papel da arquitetura moderna corumbaense no conjunto do patrimônio arquitetônico e na memória/identidade local quanto analisa o que os próprios corumbaenses pensam sobre as obras investigadas.
🔹 Sem a pretensão de inventariar nem esgotar o tema, “LADEIRA DO PORTO ACIMA...” busca lançar bases para futuros estudos, sondando a formação desse patrimônio e sua importância para a história e o desenvolvimento da cidade.
➡️ Em síntese, “LADEIRA DO PORTO ACIMA...” reúne pesquisa, documentação e reflexões sobre a arquitetura moderna de Corumbá por meio dos apontamentos de um filho de sua terra, o arquiteto e urbanista corumbaense BOSCO DELVIZIO.
Participe:
🗓️ 28/agosto (sexta-feira)
🕖 Às 19h
📌 Museu Casa Dr. Gabi
🗺️ Rua Corumbá, 1181 – Centro- Corumbá/MS
Realização | IAB MS
Patrocínio | CAU/MS
Apoio | Museu Casa Dr. Gabi
Obra contemplada pelo TERMO DE FOMENTO CAU/MS nº 001/2025 – proponente IAB/MS.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Lançamento do Livro LADEIRA DO PORTO ACIMA


 

LANÇAMENTO...

Filho de Corumbá resgata em livro a arquitetura moderna e a memória de sua terra natal

Ladeira do Porto Acima…” reúne patrimônio, cultura e história; lançamento será no dia 28, na Casa de Cultura, às 19h

 

A produção arquitetônica de Corumbá – e de MS como um todo – ganha um novo e importante estímulo com o livro “Ladeira do Porto Acima... Arquitetura moderna e memória de Corumbá”, de autoria do arquiteto e urbanista corumbaense Bosco Delvizio. Uma realização do Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento de MS (IAB-MS), com patrocínio do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Mato Grosso do Sul (CAU-MS) e selo Life Editora, a publicação será lançada na próxima terça-feira (28), às 19h, na Casa de Cultura, em Campo Grande, com entrada gratuita.

Fruto da vasta experiência de Bosco como profissional da arquitetura e do urbanismo, além de pesquisador e docente na área, “Ladeira do Porto Acima…” apresenta um olhar curioso e enriquecedor a um patrimônio ainda pouco conhecido e estudado, analisando tanto a arquitetura moderna de Corumbá – e outras vertentes – quanto a forma como ela é percebida pelos próprios corumbaenses. O livro também discute o papel desse conjunto arquitetônico na construção da memória coletiva, da identidade local e da história urbana da Cidade Branca.

Sem a pretensão de esgotar o tema nem realizar um inventário completo de edificações, mas destacando algumas delas que ajudam a contar a trajetória do desenvolvimento do município ao longo do século 20, Bosco estabelece em “Ladeira do Porto Acima…” uma base para futuras pesquisas, contribuindo na ampliação do conhecimento sobre a formação desse patrimônio arquitetônico e sua relevância para o desenvolvimento histórico, cultural e urbano de Corumbá.

“A realização e a publicação do livro, decorrente do desenvolvimento em versão adaptada da minha pesquisa de mestrado, me leva a compreender que, muito mais que uma escolha, esse trabalho se revela como meu compromisso em destacar a importância do rico e desconhecido patrimônio arquitetônico de minha cidade natal, especialmente centrado na produção da arquitetura moderna”, explica Bosco.

O autor também elucida o título de sua obra. “Como tantas vezes escalei as do Porto Geral de Corumbá, subir uma ladeira exige constância, fôlego e concentração, mas que amplia o olhar, muda perspectivas. Trago aqui, portanto, visibilidade a essa arquitetura que é vista na parte alta da cidade, quando se sobe as ladeiras do porto. Não sei se por acaso, coincidência ou por ordem natural, fato é que a arquitetura moderna sempre me despertou interesse. E hoje, com o livro em mãos, vejo atalhos da minha infância”, indica.

Ladeira do Porto Acima…” convida o leitor a revisitar Corumbá justamente sob uma nova perspectiva. Enquanto filho da Cidade Branca, o autor também compartilha relações afetivas que fundamentaram inclusive sua própria escolha profissional. “Nas aulas de desenho do padre Lourenço, eu imitava o tal ‘homem que desenhava’ que, por um curto período, trabalhou em minha escola. Certo dia, fiquei admirado ao reconhecer ele em uma foto no jornal: na mesma pessoa, prefeito e ‘homem que desenhava’, estava lá o arquiteto José Sebastião Cândia, idealizador do novo edifício da minha escola. ‘Quanta coisa fazia o arquiteto!’”, detalha Bosco.

Para o presidente do CAU-MS, Paulo Cesar do Amaral, “Ladeira do Porto Acima” é uma importante contribuição para o conhecimento e a valorização do patrimônio histórico do Estado. “É compartilhar esse conhecimento com arquitetos, urbanistas, professores, estudantes, pesquisadores e toda a sociedade interessada na história e cultura de nossas cidades. Hoje, a arquitetura moderna também é considerada parte do patrimônio histórico, e esse livro ajuda a mostrar seu valor”, pontua.

“Considero uma das mais importantes publicações do gênero para a cidade e para o Estado, no sentido da valorização do patrimônio cultural não apenas para conhecimento, mas para registro dos bens edificados e não edificados em MS e Corumbá. Com essa obra, estamos colaborando para a divulgação da arquitetura e valorizando o papel de arquitetos e urbanistas na sociedade e cultura sul-mato-grossenses”, opina Olinda Meneghini, presidente do IAB-MS.

Com “Ladeira do Porto Acima... Arquitetura moderna e memória de Corumbá”, Bosco Delvizio deixa sua contribuição para que pesquisadores, estudantes, profissionais da arquitetura e do urbanismo e a comunidade em geral conheçam o tema e suas obras – em síntese, um debate coletivo sobre a preservação patrimonial e a identidade cultural de MS.

SERVIÇO 

Lançamento do livro “Ladeira do Porto Acima… Arquitetura moderna e memória de Corumbá”, de Bosco Delvizio

  

DATA   |   28 de julho (terça-feira)

HORÁRIO   |   19h

LOCAL   |   Casa de Cultura – Campo Grande (MS)

ENDEREÇO   |   Av. Afonso Pena, n.º 2.270, Centro

 

REALIZAÇÃO

IAB-MS 

PATROCÍNIO

CAU-MS 

APOIO

Casa de Cultura – Fundac

Prefeitura de Campo Grande 

 

Obra contemplada pelo Termo de Fomento CAU-MS nº 002/2025 – proponente IAB-MS.


E-book clique aqui

segunda-feira, 13 de julho de 2026

O Congresso Mundial de Arquitetos da UIA (União Internacional de Arquitetos) 2026







 

O Congresso Mundial de Arquitetos da UIA (União Internacional de Arquitetos) 2026 foi realizado em Barcelona, Espanha, de 28 de junho a 2 de julho. Com o tema "Becoming. Architectures for a Planet in Transition", (Arquiteturas para um Planeta em Transição) o evento reuniu mais de 10 mil profissionais e 250 palestrantes para debater sustentabilidade, alterações climáticas e urbanismo.

O congresso teve sua programação distribuída por locais icônicos de Barcelona, como:

 - CCIB  Centro de Convenções Internacional de Barcelona.

-Três Chaminés   antiga Central Térmica de Badalona-Sant Adrià,

 -DHUB  Um centro cultural multifuncional e museu (abriga o Museu do Design de Barcelona) dedicado a quatro vertentes: design de produto, de informação, de moda e de espaço (arquitetura).

- Castelo de Montjuïc. é uma impressionante fortaleza militar histórica localizada no topo da montanha de Montjuïc, a 173 metros acima do nível do mar.

 

Os painéis exploraram soluções para o esgotamento do modelo de construção tradicional, focando em arquitetura circular, habitação social e adaptação climática. A cidade, que também ostentou o título de Capital Mundial da Arquitetura da UNESCO, abrigou workshops, exposições e roteiros arquitetônicos pela região metropolitana.

  1.  TORNANDO-SE ALÉM DO HUMANO: Como podemos estimular maior conscientização e ação para cuidar da coexistência planetária entre humanos e não humanos?
  2. SINTONIZANDO: Que formas de significado, ética e estética podemos incorporar em nossa prática profissional diária?
  3. TORNANDO-SE CORPORAL: Como podemos incorporar nossos valores e desejos na transição da matéria para a beleza construtiva?
  4. TORNANDO-SE INTERDEPENDENTES: Como podemos incluir o conflito, a empatia, a solidariedade e o cuidado como fatores-chave para melhorar as relações interpessoais e cívicas?
  5. TORNANDO-SE HIPERCONSCIENTE: Que ferramentas e ações devemos utilizar para nos tornarmos hiperconscientes do nosso ambiente e catalisar mudanças no nosso modo de vida?
  6. TORNANDO-SE CIRCULAR: Como serão a produção e a reprodução territorial, levando em consideração as políticas pós-extrativistas e de proximidade da circularidade?

 

O IAB e a Prefeitura do Rio de Janeiro montaram um estande no Disseny Hub Barcelona para reforçar a campanha da cidade carioca para sediar para sediar o 5º Fórum Internacional da União Internacional dos Arquitetos (UIA), em 2028.  A cidade brasileira, foi eleita por aclamação, propôs um debate global sobre arquitetura, urbanismo e turismo sustentáveis.

Cases Nacionais em Destaque:

- Projetos de urbanização do Brasil, a exemplo do Programa Nova Paraisópolis (São Paulo), foram apresentados como referências internacionais em planejamento e urbanismo integrado.

 A cerimônia de encerramento, realizada em 2 de julho no CCIB, contou com a leitura da Declaração de Barcelona pela presidente da CSCAE, Marta Vall-llossera — um manifesto construído em torno de seis posições que refletem os eixos temáticos do Congresso, concebido como um roteiro para a profissão e um guia para os órgãos de trabalho da UIA antes do Congresso de 2029. Entre suas declarações, o texto afirma a habitação como um direito, e não como um retorno sobre o investimento, e convoca a profissão a ir além de uma visão antropocêntrica do mundo. A cerimônia encerrou com a entrega simbólica da bandeira da UIA a Pequim, a próxima cidade-sede do Congresso Mundial de Arquitetos da UIA em 2029.

Após as sessões do Congresso, a Assembleia Geral da UIA reuniu-se no Disseny Hub Barcelona (DHub), onde a UIA adotou as diretrizes e o quadro de governança para o mandato de 2026-2029, além de eleger o novo Conselho que liderará a União durante o próximo triênio.

A nova liderança eleita é a seguinte:

Presidente : ZHANG LI  (China)

Secretária Geral : TEREZA  TÁBOAS VELEIRO (Espanha)

Tesoureiro : Marco VERGARA VÁZQUEZ (México)

O Arquiteto e Urbanista e Conselheiro Vitalício do IAB NIVALDO ANDRADE   (Brasil)   Vice-Presidente da União Internacional de Arquitetos para a Região III.

A delegação de MS foi composta de 8 arquitetos e urbanistas do IAB/MS dentre eles:

Carlos Lucas Mali: Conselheiro do COSU, delegado da UIA, os delegados são os representantes oficiais nomeados pelas seções-membro de cada país (como o IAB no Brasil) para compor a Assembleia Geral e votar resoluções. Eles se reúnem em Congressos Mundiais para eleger a diretoria e orientar políticas globais.

Olinda Beatriz Meneghini: presidente do IAB MS e vice-presidente da região Centro-Oeste

Rubens Pires dos Santos: vice-presidente e conselheiros do COSU

Vera Cristina Galvão Bacchi: Conselheira do COSU -IAB MS  

Adriana Tannus: tesoureira do IAB MS e Conselheira do COSU

Luciana Ribeiro da Silva Abrão:  Conselheira do Conselho Fiscal IAB MS 

Neila Janes Viana IAB MS 

Fárida Myrani de Mira  IAB SC 




 










 


Revista PROJETO 1982 Sobre o Parque dos Poderes

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